quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

INCREMENTO NA PRODUTIVIDADE DE MILHO, APÓS A LIBERAÇÃO DA TECNOLOGIA Bt

RESUMO


O milho é um dos mais importantes cereais do mundo, devido aos seus valores nutricionais e energéticos. Sua produção estende-se ao longo de todo o globo terrestre, porém, é uma das culturas mais atacadas pelas pragas, como a lagarta- do-cartucho (Spodoptera frugiperda), comprometendo assim a produção do grão. No ano de 2008, o Brasil deu um importante passo para a cultura de milho, adotando a tecnologia Bt (Bacillus thuringiensis) na produção do cereal. Este trabalho objetivou realizar o levantamento da produção e da área plantada do milho, nas safras de 2006 a 2014, após a liberação comercial da tecnologia Bt no ano de 2008 e a adoção da variedade no modo de produção no Brasil. Diante deste levantamento, foi observada a diminuição de área cultivada do milho 1ª safra em razão do clima desfavorável em algumas safras e a preferência dos agricultores em cultivar nesta época a soja, e houve o aumento de área e produção no milho 2ª safra em razão da característica da tecnologia de milho Bt contra pragas desfolhadoras. Este aumento se deve a adoção do milho Bt, variedade resistente a ataques de insetos-pragas e a diminuição de inseticidas no cultivo de milho. Conclui-se que a tecnologia corresponde ao aumento de área cultivada pelo produtor e consequentemente havendo elevação na produção do milho nacional.
Palavras-chave: Milho Bt. Lagarta-do- cartucho. Pragas do milho.


Gráfico 1. Produção nacional de milho – 1ª e 2ª Safra, Ponta Porã, MS-2015




CONSIDERAÇÕES 

A implantação da tecnologia Bt no Brasil foi considerada tardia, se comparado aos Estados Unidos e Argentina, que desde a década dos anos 90 já utilizavam a variedade em seus campos de produção.
No Brasil, o milho era cultivado, na maior parte, por médios e pequenos produtores, devido à baixa tecnologia utilizada, baixo custo das sementes convencionais, porém estes produtores gastavam mais com o uso de inseticidas em suas lavouras.
A chegada do milho Bt no Brasil veio para que a produção seja aumentada e os gastos com defensivos e outros insumos pertinentes à cultura fossem diminuídos. Como consequência, o milho Bt veio a ajudar estes médios e pequenos produtores que antes gastavam muito e produziam pouco nas culturas. 
Apesar do custo da semente de milho Bt ser mais elevando em comparação ao milho convencional, há a redução com a utilização de inseticidas, com a mão-de-obra aplicada na cultura e também evitou o desgaste dos equipamentos utilizados, devido a pouca utilização de pulverizadores para o controle de pragas.
A tecnologia veio até os produtores para auxiliar no bom rendimento da cultura de milho, no aumento da produção e reduzindo os custos no manejo da lavoura. Através desta tecnologia, houve ganhos expressivos para os produtores rurais e para o Brasil. 

 Os produtores passaram a cultivar mais áreas com a adoção do milho Bt, devido à eficiência do transgênico na resistência contra os ataques da lagarta-do-cartucho, e o país tem aumentado o seu estoque para atender as exportações e empresas que tem como matéria-prima de seus produtos o milho.


Monografia apresentada à Banca
Examinadora do Instituto Federal do Mato
Grosso do Sul/ Campus Ponta Porã, como
exigência parcial para obtenção do título de
Tecnólogo em Tecnologia em Agronegócio.

Autor: Luiz Alsonil Palhano Batista

SAFRAS oferece curso sobre estratégias para a comercialização de milho e soja

A SAFRAS & Mercado, consultoria líder em agronegócios, realiza nos dias 14 e 15 de fevereiro, em Passo Fundo/RS, um curso com o tema “Comercialização Milho e Soja – Como reduzir riscos na comercialização utilizando ferramentas globais”.
O encontro tem por objetivo mostrar ao aluno a compreensão dos mecanismos de formação de preços nos mercados de milho e soja, conhecer as estratégias de comercialização disponíveis, dominar as técnicas que permitem a adequada ligação entre o mercado físico, de futuros e de opções, melhorar a gestão do risco derivado da volatilidade e oscilação de preços e aumentar a rentabilidade nas operações de compra e venda.
Será ministrado por Paulo Roberto Molinari, economista pela Universidade Federal do Paraná, com pós-graduação em Agribusiness pela FAE e que atua há 28 anos em análise econômica e de mercados agrícolas. É consultor sênior em Agribusiness, com especialização nos segmentos de milho e carnes e diretor técnico de SAFRAS & Mercado. Na ocasião, o profissional irá abordar os seguintes tópicos:
  • Análise Fundamental – Conceitos iniciais
  • Formação de Preços
  • Introdução ao Mercado Futuro
  • Operação com Contratos Futuros
  • Introdução ao Mercado de Opções
  • Introdução à Análise Técnica
O público alvo são representantes do governo federal e estadual, produtores de milho e soja, cooperativas agropecuárias, corretores, tradings, armazenadores, exportadores, indústrias alimentícias e de beneficiamento, entidades de financiamento do agronegócio e de seguros, executivos de mercado e de gerenciamento de riscos de preço, consultores e pesquisadores e profissionais que desejam reciclar seus conhecimentos.
Serviço
Curso: “Comercialização Milho e Soja – Como reduzir riscos na comercialização utilizando ferramentas globais”.
Data: 14 e 15 de fevereiro de 2017 – das 8h45 às 17h30.
Local: a definir
Cidade: Passo Fundo/RS
Inscrições:                                                                        
(11) 3053-2736
WhatsApp: +55 (51) 9919-02756

terça-feira, 22 de novembro de 2016

SOJA: Comercialização antecipada da safra 2016/17 do Brasil é de 25% - SAFRAS


Grupo CMA

A comercialização antecipada da safra 2016/17 de soja do Brasil envolve 25% da produção projetada, conforme relatório de SAFRAS & Mercado, com dados recolhidos até 4 de novembro.
Em igual período do ano passado, a negociação envolvia 41% e a média para o período é de 30%. Levando-se em conta uma safra estimada em 103,477 milhões de toneladas, o total de soja já negociado é de 26,130 milhões de toneladas.

SOJA - BRASIL - COMERCIALIZAÇÃO ANTECIPADA - SAFRA 2016/17
- em % da produção esperada (*) -

     

Estados
16/17
Volume
Safra
15/16
14/15
Média

04/Nov
Comprometido
Esperada
04/Nov
04/Nov
Normal (1)
RS
15
2415
16098
29
6
18
PR
17
2941
17301
34
10
19
MT
34
9942
29240
46
25
40
MS
23
1774
7711
39
16
28
GO
29
3027
10436
54
23
37
SP
17
463
2722
35
13
20
MG
24
1120
4668
47
12
29
BA
31
1395
4501
52
30
39
SC
8
163
2037
30
8
16
OUT
33
2891
8761
48
30
43
BRASIL (x)
25
26130
103477
41
17
30

     

Obs: (x) Média Ponderada.  (1) Média de 5 anos normais.
 

(*) Percentuais considerando comprometimento dos produtores.

Fonte: SAFRAS & Mercado





Safra 2015/16
Os produtores brasileiros de soja já negociaram 95% da safra de soja 2015/16. O levantamento é de SAFRAS & Mercado e refere-se ao período até 4 de novembro. Em igual período do ano passado, a comercialização da safra envolvia também 95% e a média para o período é de 92%. Levando-se em conta uma safra 2015/16 estimada em 97,150 milhões de toneladas, o volume de soja comprometido chega a 91,996 milhões de toneladas.
No Mato Grosso, o total já comercializado chega a 98% da safra estimada, contra 98% no ano passado e 97% da média. Em Goiás, o índice é de 97%, igual aos 97% do ano anterior e dos 97% da média. No Paraná, SAFRAS indica comprometimento de 95% da safra, ante os 95% do ano passado e aos 85% da média. No Rio Grande do Sul, o número é de 88%, igual aos 88% no ano anterior e contra 82% da média.

SOJA - BRASIL - EVOLUÇÃO DA COMERCIALIZAÇÃO - SAFRA 2015/16
- em % da produção esperada (*) - volumes em mil t. -

     

Estados
15/16
Volume
Safra
14/15
13/14
Média

04/Nov
Comprometido
Esperada
04/Nov
04/Nov
Normal (1)
RS
88
14359
16317
88
85
82
PR
95
15765
16595
95
92
85
MT
98
27006
27558
98
97
97
MS
95
7033
7403
95
94
92
GO
97
10282
10600
97
96
97
SP
90
2453
2725
90
95
91
MG
92
4399
4782
92
98
96
BA
99
3206
3239
99
98
96
SC
82
1737
2118
82
90
86
OUT
99
5757
5815
99
98
97
BRASIL (x)
95
91996
97150
95
94
92

     

Obs: (x) Média Ponderada.  (1) Média de 5 anos normais.
 

(*) Percentuais considerando comprometimento dos produtores.

Fonte: SAFRAS & Mercado






Imagens relacionadas

COMERCIALIZAÇÃO ANTECIPADA - SAFRA 2016/17 em % da produção esperada
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EVOLUÇÃO DA COMERCIALIZAÇÃO - SAFRA 2015/16 em % da produção esperada - volumes em mil t.
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Simone Bertelli
Vervi Assessoria de Imprensa
Rua Freire Farto, 56 - Pq. Jabaquara - SP - CEP. 04343-120
(11) 2578-0422

simone@grupovervi.com.br
Vervi Assessoria

O futuro do agronegócio brasileiro com Trump

Os EUA são muito mais concorrentes do que clientes
Valéria Vilela* 
A vocação para o agronegócio do Brasil mostra que o pais sob o comando de Donald Trump  é  o maior concorrente dos produtores rurais . É importante olhar  dados sobre  o Intercâmbio Comercial do Agronegócio (do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, (dados de  2013), apenas 5% de nossas exportações agrícolas vão para os EUA. A China participa com 24%, a União Europeia com 21% e diversos países com os demais 50%.
Em 2013, o Brasil exportou US$ 86,6 bilhões e importou US$ 12,5 bilhões. Resultou um saldo positivo de US$ 74,1 bilhões. A participação americana no saldo foi de 3,5% e da China de 26,5%.
Do total de importações (US$ 12,5 bilhões), os itens mais significativos foram: trigo (EUA, Argentina, Canadá); bebidas alcoólicas (África do Sul, Chile, Japão, União Europeia); pescados congelados (Chile, Marrocos, Tailândia, Taiwan, Vietnã); óleo de palma e dendê(Colômbia, Indonésia, Malásia).
 Assim,  no Brasil  temos 90% do que vêm da Rússia são Waffles; 50% do Egito, algodão especial para roupas de cama; 60% da Índia, de óleos essenciais, algo que pode parecer estranho.
 Contra o crescimento da produção e da produtividade da próxima safra, 2016,  conforme previsto por Conab e IBGE,  e como se justifica  a queda de 22% (defensivos) e 7% (fertilizantes químicos) em consumos e vendas?
Antes,  os produtores brasileiros  estavam usando e gastando mais do que o necessário? Sustentabilidade é a palavra do agro,  conscientização dos agricultores em reduzir custosas aplicações associando-as a produtos mais baratos, de extrações orgânicas e naturais. Mas a era Trump, vê essa estratégia como uma  ameaça a seus mercados.
O Brasil deve colher 210 milhões de toneladas de grãos, 1,3% a mais do que em 2015. Mesmo com toda a crise, a área plantada crescerá 1% e o valor bruto da produção está estimado em R$ 515,2 bilhões.
Uma das principais revistas do agronegócio brasileiro teve como manchete  “A corrida do milho: demanda explode e faz preço disparar”. Há 20 dias as cotações do mercado futuro, em Nova York e Chicago, para café, soja e milho, não param de subir.

A vitória de Donald Trump está gerando preocupação no mercado global, especialmente em relação à falta de previsibilidade que investidores enxergam no perfil do republicano. O dólar à vista abriu com alta superior a 2% e saiu dos R$ 3,17 para R$3,24 na máxima da manhã . O ambiente de mais nervosismo pode afetar as commodities agrícolas negociadas no mercado futuro internacional, o mercado de câmbio e num futuro próximo há quem veja efeitos na dinâmica do comércio global.
Em consultas com economistas, analistas de mercado e especialistas os temas são os efeitos no mercado de câmbio com tendência de alta para o dólar frente ao real. Como será o mercado de câmbio com análises mais extremistas apontando que a presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, pode abandonar o cargo em razão de diferenças com Trump. Além de mais aversão ao risco e demanda por dólares que são considerados ativos mais seguros
 As commodities agrícolas que são consideradas ativos mais arriscados e podem sofrer fuga de capitais, ou seja perder investimentos. Tendo a dinâmica de comércio mundial com expectativa de que Trump seja mais protecionista, o que poderia afetar as negociações internacionais em mercados como a pecuária  brasileira que depois de anos voltou  a exportar carne in natura para os EUA.
 Na cafeicultura o Brasil é um dos principais exportadores do produto para a maior economia do mundo, como serão os efeitos, retração nas compras de alta qualidade ficando a preferencia para os cafés de países que oferecem preços inferiores em qualidade e preço?
O republicano Donald Trump venceu graças a votação maciça que obteve nos estados do cinturão agrícola americano que já recebem incentivos e subsídios.
É preciso ser cauteloso no primeiro momento e audacioso no longo prazo, ir em busca de mercados ainda não explorados e que talvez até desconheçam os produtos agrícolas brasileiros.
*Valéria Vilela é jornalista especializada no agronegócio com ênfase no mercado de café. 


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Simone Bertelli
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terça-feira, 16 de abril de 2013

Os cuidados com a segurança em propriedades rurais - Da maior até a menor propriedade


         Donos de sítios e fazendas já podem contar com o desenvolvimento da tecnologia nos aparatos de segurança para proteger os seus bens conquistados de maneira honesta e com muito suor. Hoje em dia a criminalidade da zona urbana vem migrando para a zona rural, fazendo com que muitos moradores não se sintam mais seguros em suas casas.
A falta de policiamento nos lugares mais afastados é um agravante da situação e os bandidos se beneficiam disso. Toda essa falta de segurança vem gerando o abandono de seus bens e propriedades por parte dos moradores de áreas rurais. Porém, o que muitos deles não sabem é que é possível se proteger e evitar a criminalidade em suas residências de maneira prática e rápida, basta adquirir os equipamentos eletrônicos produzidos especialmente para essas questões.
       Identifique quais são as necessidades de sua propriedade. É importante cercá-la de modo que o assaltante não tenha por onde entrar. Instalar cerca e alarme é o primeiro passo. Essa ação já faz com que o bandido se sinta intimidado com os aparatos de tecnologia que podem fazer com que ele se machuque, ou denunciar a sua ação, dando tempo de ser pego. Para investir mais na segurança das zonas rurais, instalar câmera de segurança é outra ótima ideia. As imagens podem ser assistidas e monitoradas em tempo real para combater o crime e tomar providências imediatas em caso de emergência, ou serem gravadas para serem assistidas posteriormente, pois assim, no caso de algum crime, os autores serão identificados. Além disso, as câmeras de segurança também funcionam como fator de intimidação para a ação dos bandidos.
       Essas medidas devem ser tomadas pela população rural, pois evitam casos de furtos, roubos e arrombamentos dos bens dos moradores, principalmente daqueles que construíram suas moradias e ganharam dinheiro com muito esforço ao longo de anos e anos de trabalho. Enquanto a polícia não aumenta seu efetivo policial, é preciso tomar suas próprias providências, pois nada justifica a falta de segurança e sossego no lugar onde mora.
Procure um especialista em segurança patrimonial e decida quais são as medidas que devem ser tomadas na sua propriedade. 

Autor: Luis Antonio - Muito Mais Digital

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Por que vamos depender da venda do nosso milho para os chineses?, por Glauber Silveira


Diversos usineiros e produtores de milho da região Centro-Oeste estiveram reunidos em Cuiabá na última sexta-feira. O objetivo foi discutir a implantação de novas usinas flex, já que em Mato Grosso temos uma em funcionamento, na cidade de Campos de Júlio, ou seja, a produção de etanol de milho já é realidade no Brasil.
Mas aí vem sempre a pergunta: por que produzir etanol de milho? Bem, primeiro porque temos aí uma grande oportunidade de consumo do milho agregando valor regional. Para mostrar a oportunidade que estamos perdendo considere que Mato Grosso produziu 13,9 milhões de toneladas de milho, mas só consumiu 2 milhões, ou seja, houve uma sobra de 11,9 milhões de toneladas. Já o estado de Goiás produziu 7,8 milhões de toneladas e consumiu 4 toneladas do grão, sobraram 3,8 milhões de toneladas. Mato Grosso do Sul produziu 5,7 milhões e consumiu 1,3 milhões de toneladas do total, 4,3 milhões de toneladas de produção excedente.
Como podemos observar, a região Centro-Oeste produziu 27,1 milhões de toneladas de milho para um consumo regional de apenas 7,3 milhões. Esse consumo se concentra, principalmente, na avicultura, suinocultura e nos confinamentos de bovinos e que, embora tenha aumentado ano a ano, não tem acompanhando a capacidade de expansão da produção do milho. Sendo assim tem sobrado quase 20 milhões de toneladas do cereal no Centro-Oeste.
Neste ano o Brasil exportou 21 milhões de toneladas de milho, exportação que ocorreu graças à quebra mundial na produção do grão, sobretudo nos Estados Unidos, o que fez com que o Brasil pudesse colocar a preços remuneradores o excedente da produção nos portos, caso contrário teríamos armazéns abarrotados com em anos anteriores. Lembrando que mesmo exportando este volume expressivo, ainda temos milho sobrando no Brasil. O problema é que ele está em Mato Grosso e custa muito caro levar uma carga de milho do Estado para os portos ou para Santa Catarina, onde está faltando.
Na safra de 2011/2012 o Brasil teve uma oferta global de 84,1 milhões de toneladas, incluido estoques de passagem e produção, mas consumiu apenas 52,5, ou seja, sobraram 31,6 milhões de toneladas. E o pior é que no Centro-Oeste poderíamos ter produzido mais 14 milhões de toneladas. Claro que não produzimos porque teríamos um sério problema de preço por dois motivos principais: não teríamos como consumir tudo internamente, além do que teríamos que exportar todo o produto pelas rodovias do Brasil ao custo do frete mais caro do mundo.
Para se ter uma ideia, hoje o milho em Mato Grosso está a um preço médio, em Sorriso, de 18 reais, e custa 14 reais para levá-lo ao porto. Ou seja, a cada três sacas que enviamos ao porto duas são para pagar o frete. Isto logicamente porque nosso transporte é predominantemente rodoviário, se tivéssemos mais ferrovias e hidroviárias e se soubéssemos explorar adequadamente cada modal de acordo com a distância a ser percorrida (curtas de caminhão e longas de trem e barcaças) este custo seria muito menor: a cada três sacas gastaríamos uma em frete ou até menos.
Diante desse cenário, uma das grandes alternativas para agregarmos valor ao milho do Centro-Oeste é utilizá-lo, em parte, nas usinas de cana-de-açúcar onde - com uma ampliação - conseguimos produzir etanol, DDGs e óleo. Hoje com uma tonelada de milho podemos produzir até 240 kg de DDGs (que são os grãos secos de destilaria, produto excelente para ração animal), outros 395 litros de álcool e ainda 20 litros de óleo.
Diversos usineiros estão vislumbrando a produção do etanol de milho, uma vez que agrega valor industrial, possibilita que a usina ao invés de ter atividade industrial por apenas seis meses possa chegar a operar quase o ano todo. Isto, sem dúvida, reduz os custos operacionais do próprio etanol de cana, já que tem outro produto dividindo os custos. Como prova da viabilidade do modelo, já existem duas novas usinas flex em fase de aquisição de equipamentos, uma em Mato Grosso e outra em Goiás.
A produção de etanol de milho regionalmente seria um grande benefício segundo a Célere Consultoria. Para cada 1 milhão de tonelada de milho transformada em etanol e DDGs teríamos uma receita anual de 700 milhões de reais, o que geraria 180 milhões de impostos ao Estado e 150 novos empregos diretos. Sem dúvida, é uma grande iniciativa e que merece apoio do governo.
Este é o questionamento que faço: vamos ficar dependendo da China consumir nosso milho ou vamos fazer como os norte-americanos e encontrar uma alternativa que agregue valor e nos tire da total dependência do mercado externo? Claro que o etanol tem seus problemas, mas qual cadeia neste país não tem?
A nossa prioridade deve ser buscar soluções, cobrar do governo uma política para os biocombustíveis, afinal este governo posa de ambientalista, mas tem sua política voltada ao combustível fóssil e rodovias, e nós brasileiros pagamos a conta perdendo uma grande oportunidade de crescermos e sermos muito mais competitivos. Imaginem o Brasil com ferrovias, hidrovias, uma política energética sustentável com real apoio aos biocombustíveis, sou otimista vamos chegar lá.
GLAUBER SILVEIRA é engenheiro agrônomo, produtor rural, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil). Twitter: @GlauberAprosoja E-mail: glauber@aprosoja.com.br

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Questão Agrária - É preciso Discutir a Divisão

Um tema que sempre levanta discussões acaloradas - algumas vezes sem o devido conhecimento - é  o direito de propriedade do solo. O Brasil precisa atender as reivindicações das diferentes alas da sociedade, mas esbarra na falta de diálogo. Este assunto foi tema de discussão do Programa Canal Livre da Rede Bandeirantes no dia 23/09/2012. Assista a todos os vídeos, e comece a ter um posicionamento com base em informações concretas.
Segue: